Na sexta-feira passada tinha planeado sair à hora certa. Tinha algumas coisas para resolver para a
Associação e às 21:30 tinha a nossa primeira assembleia geral. Quando já tinha tudo pronto para vir embora, aparece um dos patrões que me dá uma seca de meia hora de coisas que não interessam nem ao Menino Jesus, mas como estou lá há tão pouco tempo lá tive de me fazer muito interessada na conversa.
Com tudo isto já passava das 18:30 quando saí da empresa. Vou descansadinha em direcção ao meu popó quando reparo num cão a meter-se nuns arbustos (uma coisa muito usual naquela zona industrial, onde há imensos cães vadios que são alimentados por 2 armazéns). Vou então buscar um pouco de ração ao carro para lhe dar mas quando o vejo por inteiro senti um gigantesca sensação de desespero, angústia…sei lá que mais.
O cão não era um cão, era um esqueleto com pele. Mal se tinha de pé mas mesmo assim quando o chamei veio ter comigo a dar ao rabinho. Depois deitou-se no meio da estrada, mas estava tão fraco que nem se desviava dos carros…só pensava quando passaria algum que não pararia…
No meio da aflição e do desespero só pensava “não posso deixar este pobre bicho aqui”. Mas sabia que tínhamos o canil cheio, que nenhuma das voluntárias tinha espaço para mais um cão, muito menos daquele tamanho. Ligamos a várias pessoas e nada…não havia onde o colocar. Depois de 1001 telefonemas o Rogério (assim o baptizei) continuava a olhar para mim, e sempre que eu me aproximava abanava o rabinho e punha-se de barriga para o ar…não o podia deixar ali…mais uma noite naquele estado e morreria de certeza. Liguei para a nossa “Presidenta” e disse-lhe: D. Teresa, não sei onde o vou por, mas aqui ele não fica.
Começou então a tentativa de captura que durou cerca de uma hora. Eu estava sozinha, o Rogério é grande, não tinha medo dele mas podia magoa-lo ou provocar-lhe tamanho stress que o levasse a atacar. Fui à minha empresa pedir ajuda mas obviamente que ninguém fez nada, um deles ainda veio cá fora só para dizer que vinha. Tentei sozinha apanhá-lo, levei o meu casaco para o cobrir mas sozinha não conseguia. Foi então que o sr. António do armazém da minha empresa apareceu, parou e ajudou-me! Lá conseguimos por o Rogério no carro e meti-me a caminho de casa (cerca de 25 minutos).
O Rogério foi toda a viagem sentado no banco de trás, nunca ladrou nunca se mexeu, um anjinho. Então enquanto conduzia lembrei-me “tenho de o levar ao vet, vou pedir para ele ficar lá”.
E assim foi, cheguei ao vet, e o Rogério foi visto por uma das veterinárias. Sempre calmo, sempre a dar o rabinho quando alguém falava com ele. Todas pessoas que passavam por ele se impressionavam com a sua magreza. Estava extremamente desidratado, cheio de carraças (nunca vi tanta carraça junta) e com uma gigantesca diarreia. O seu estado era tal que nem lhe podiam administrar uma pipeta de frontline externo porque poderia não aguentar.
Ficou a noite a soro, e no sábado já comia bem (uma ração especial para os intestinos) mas continuava com imensa diarreia. Quando lá fui no sábado já se notava mais vida nele. A simpatia e a meiguice continuam lá!
É um cão de porte grande, cruzado de dobreman, que já foi um dia muito bem tratado pois é extremamente meigo e muito obediente e submisso! Amanhã terei de o tirar do veterinário porque não conseguimos suportar a despesa por muito mais tempo, alguma coisa haveremos de arranjar!
Mas agora digam-me, que mal fez ele para chegar a este estado? Porque é que as pessoas continuam a ter animais se não os querem? Não conseguem entender que eles sofrem? Que sentem dor e tristeza??
Sei que Ele lá de cima fez com que me atrasasse o suficiente para me cruzar com o Rogério, embora ele não esteja livre de perigo tem boas hipóteses de recuperar. E os outros milhares de animais que não têm ninguém que se cruze com eles, que vivem nas ruas porque foram deitados fora como lixo porque já não são úteis, bonitos ou fofos??
Será que um dia Portugal vai mudar?





Assim que o Rogério estiver bom vai ser colocado para adopção, por isso se alguém quiser um cão grande mas super meigo e obediente é só dizer!Neste momento precisamos DESESPERADAMENTE de uma FAT- FAMILIA DE ACOLHIMENTO TEMPORÁRIO ou de um apadrinhamento para o colocar num hotel. Se alguém quiser ajudar mandem por favor e-mail para aanimaissjm@gmail.com ou para mim so.por.ser.para.ti@gmail.com.Obrigada